Sueli Dabus retrata as emoções da vida ao mar em série de quadros com inspiração náutica

O mar é um universo de liberdade e de imaginação. E é neste cenário que a artista plástica Sueli Dabus buscou inspiração para uma de suas séries de quadros, com inspiração náutica.

Em toda sua imensidão, o mar transmite uma amplitude de sensações, que são trabalhadas de forma muito rica pela pintora. “Trata-se de um espaço em que as possibilidades se multiplicam pelo simples fato de os limites serem muito vastos. Olhando para o horizonte, toda expectativa parece ser positiva no sentido de enxergar a amplidão da existência”, contextualiza o crítico de arte Oscar D’Ambrósio.

Num estilo que mescla o expressionismo, presente nas pinceladas mais soltas; com o impressionismo, que pode ser identificado na forma como a natureza se apresenta, vindo de fora para dentro. A artista capta suas luzes e nuances num exercício em que a fantasia e o sonho são essenciais, com um resultado fascinante.

A vastidão e o mistério do navegar dão às obras de Sueli Dabus o tom de uma criação caracterizada pela impermanência. Não existem soluções fáceis, mas resultados plásticos atingidos pelo estudo, trabalho árduo e uma grande sensibilidade no processo de representação dessas imagens.

O mar surge então como um ser em mutação, principalmente regido pela emoção do inesperado e por uma convicção de que cada onda é nova, porque sua maneira de dialogar com o espaço não pode ser repetida. Entender a vida e a arte dessa forma constitui um desafio permanente.

Seja nas obras mais serenas ou nas mais agitadas, a artista plástica não se contenta com as formas mais óbvias para dar sua resposta visual ao mundo. Permanece a inquietação, que dá a cada obra uma personalidade própria, um construir-se muito pessoal e característico.

“Fazer uma obra com tema marítimo significa dar-se ao mar no sentido de não se repetir, mas de se sentir renovada enquanto artista e enquanto pesquisadora de técnicas e de distintas formas de representar o espaço, com cores, pinceladas e traços. Nada está parado, pois permanece o desejo de ter sempre algo a dizer”, ressalta D’Ambrosio.

Existe nas obras marinhas da artista um fluir e refluir de imagens que alude ao movimento das marés e também ao céu. Ambos têm a capacidade infinita de sempre se apresentar de maneiras distintas, num processo em que a repetição pode ser sentida apenas quando se lança um olhar apressado.

Uma observação mais atenta capta as nuanças da luminosidade que fazem com que cada amanhecer e anoitecer sejam um espetáculo único, para o qual é necessário reservar um tempo. O ego precisa então ser substituído pela humildade de contemplar a natureza como um organismo em mutação rica e permanente.

“As pinturas de Sueli Dabus, ao enfocar o mar, o céu e as embarcações, assim como portos, trazem a calmaria, a inquietação e a reflexão de que a vida inclui o correr, sim! Mas as paradas também integram a dinâmica do viver. Somente assim a saúde mental pode encontrar o seu lugar. O desafio é grande, mas a interação com as paisagens do mar auxilia. E muito!”, conclui D’Ambrosio.

Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, doutor em Educação, Arte e História da Cultura pelo Mackenzie.

Contato:
Sueli Dabus
(14) 3223-0001
http://www.suelidabus.com.br/